Artigo: O impacto do coronavírus na economia global, por Aron Flemming Brito

Após alguns anos com o Brasil em grande recessão econômica, o ano de 2020 se inicia com uma ótima perspectiva: juros caindo, bolsa batendo recorde, moeda estabilizada, investimento externo, ou seja, em 2020 nada poderia dar errado, correto? Errado! O mundo não esperava que na véspera do maior feriado chinês iríamos nos deparar com a propagação de um vírus desconhecido, rápido e fatal, e para piorar, na época em que milhões de chineses circulavam tanto pela China, como pelo restante mundo, aumentando ainda mais sua disseminação. O maior país exportador do mundo vira um caos.

São fábricas paradas, funcionários em quarentena, cidades fechadas e os maiores portos da China já com suas operações comprometidas. Depois do pior PIB nos últimos anos em 2019, o país já se prepara para uma redução de 1,3% na projeção de 2020. Qual multinacional no mundo colocou no seu planejamento de 2020 o risco do aparecimento de um vírus na China? Aposto que nenhuma. Isso mostra que o consumo de um animal silvestre transmissor pode afetar bilhões de pessoas globalmente. Inclusive, sentimos reflexos em nosso Estado.

Temos recebido relatos de empresários que já encontram dificuldades ao realizar pedidos em redes da China, seja em função da falta de produtos ou até de aumentos significativos no custo. Isso gera alta no preço de produtos importados e segue freando a economia, apresentando prejuízos para o setor de comércio exterior. Por outro lado, a médio e longo prazo é possível enxergar oportunidades de crescimento, afinal, é em período de crise que o mercado se reinventa.

O segmento de suínos, bovinos e aves, por exemplo, pode ter um crescimento no mercado chinês, já que acredita-se que a origem da disseminação do coronavírus tenha partido da ingestão de algum animal silvestre, prática comum e milenar na China. Mas que após a contaminação, pode se desestabilizar e aumentar exponencialmente o consumo de carnes industrializadas no país. De qualquer forma, o mercado segue instável e exige que se pense e planeje estrategicamente a melhor maneira de superar o ocorrido.